As ruas do meu bairro estão todas cinzentas, o dia misturou-se
com a noite porque o sol não apareceu hoje, no céu só é possível enxergar
grandes e carregadas nuvens. O clima é muito úmido e gelado; minhas unhas
ficaram roxas porque o metal do guidão da bicicleta esfriou.
Pedalo acompanhando o ritmo da tristeza que se alojou dentro
da minha mente, ela canta suavemente, meu coração bate lento e parece comprimir
meu peito... As lágrimas surgem no canto dos meus olhos enquanto pedalo em
frente a tua casa.
Agora a casa me parece velha, os portões estão escancarados,
pintura desbotada, plantas mortas; decido entrar.
Apoio a bicicleta ao lado da parede de modo silencioso, olho
para a cozinha onde costumávamos jogar conversa fora e rir... Ríamos muito. Com
o olhar perdido observo o resto da casa e decido caminhar até a porta do seu
quarto. Vou devagar, tenho medo do que possa encontrar ao abrir a porta, mas a minha
vontade de olhar para o cômodo e reavivar nossas lembranças é muito mais forte.
Ao abrir encontro-te há mil anos atrás e lá está você... Perdido na tarde de
domingo em que nos separamos.
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