sexta-feira, 8 de março de 2013

Paranoid


Tudo começa quando me sento no banco do vagão de um metrô vazio, estou completamente sozinha, tão sozinha que os únicos sons que posso ouvir são os dos trilhos e o do meu coração. Coração que está incerto, inseguro e muito amedrontado. Mexo as mãos silenciosamente imaginando poder estar sendo vista por algum fantasma do túnel negro, tento reconhecer pelo tato o maço de cigarros em meio aos milhares de objetos escondidos dentro da minha bolsa, mas, o nervosismo é tanto que eu falho, as mãos suadas voltam ao meu colo e se entrelaçam inquietas.
Agora ouço uma outra coisa, agora posso ouvir as vozes impacientes que vêm de dentro da minha mente dizendo: ‘’Você está louca?’’, ‘’Pegue logo um cigarro’’, ‘’De quem é que você está se escondendo?Ande logo!’’. Era a voz da minha própria consciência que agora havia sido possibilitada de revoltar-se contra a sua dona.
Entretanto, a curta viagem já estava no seu fim; precisei respirar profundamente para conseguir me levantar e adentrar a estação escura do fim do mundo. Fitei-me rapidamente por alguns instantes no vidro da janela do metrô, Branca estava escapulindo de mim, tirei meus olhos do reflexo e num gesto muito rápido juntei minhas coisas para poder sair dali.
Eu estava pronta, pronta para mais, jogada na estação do fim do mundo com os fantasmas do túnel negro. 

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