Tudo começa quando me sento no banco do vagão de um metrô
vazio, estou completamente sozinha, tão sozinha que os únicos sons que posso
ouvir são os dos trilhos e o do meu coração. Coração que está incerto, inseguro
e muito amedrontado. Mexo as mãos silenciosamente imaginando poder estar sendo
vista por algum fantasma do túnel negro, tento reconhecer pelo tato o maço de
cigarros em meio aos milhares de objetos escondidos dentro da minha bolsa, mas,
o nervosismo é tanto que eu falho, as mãos suadas voltam ao meu colo e se
entrelaçam inquietas.
Agora ouço uma outra coisa, agora posso ouvir as vozes
impacientes que vêm de dentro da minha mente dizendo: ‘’Você está louca?’’, ‘’Pegue
logo um cigarro’’, ‘’De quem é que você está se escondendo?Ande logo!’’. Era a
voz da minha própria consciência que agora havia sido possibilitada de revoltar-se
contra a sua dona.
Entretanto, a curta viagem já estava no seu fim; precisei
respirar profundamente para conseguir me levantar e adentrar a estação escura
do fim do mundo. Fitei-me rapidamente por alguns instantes no vidro da janela
do metrô, Branca estava escapulindo de mim, tirei meus olhos do reflexo e num
gesto muito rápido juntei minhas coisas para poder sair dali.
Eu estava pronta, pronta para mais, jogada na estação do fim
do mundo com os fantasmas do túnel negro.
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