É inevitável, mas, ainda penso todos os dias sobre ela.
Lembro-me exatamente da primeira vez que estivemos juntas, meu cérebro entrou
em pane, desligou-se, minha cabeça esvaziou-se e a excitação pelo novo me
preencheu por inteira. Senti-me rejuvenescida, como se por algumas horas ela
simplesmente pudesse me reiniciar, redimensionar a minha noção de espaço e
tempo. Foi quase como estar no espaço, na imensa escuridão, sentar descalça
numa estrela e balançar os pés para fora dela.
Era a solução para todos os meus problemas, vê-la era como
ter minha própria válvula de escape, poder simplesmente fugir de tudo e todos
apenas com ela, sem precisar de terceiros.
A reinvenção de mim mesma, do meu próprio eu; era uma viagem
intensa cheia de sons, odores, risos e expressões desconhecidas. Podia ser
tudo, nada, louca ou sã.
É inevitável não pensar nela vez ou outra... Branca fez-me acreditar
que a viagem para o precipício pode ser formidável.
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